O Brasil está passando por uma profunda transformação demográfica, que terá impacto direto em todos os aspectos da vida em sociedade: as pessoas estão vivendo mais e as famílias têm menos filhos, o que já vem impactando no perfil de saúde da população.
É uma mudança expressiva e relativamente acelerada, em termos históricos. No ano de 1900, a expectativa de vida ao nascer no Brasil era de 33,7 anos, em grande parte porque muitas crianças morriam: a mortalidade infantil, na época, era de aproximadamente 10%, o que significa que 100 em cada mil bebês perdiam a vida antes de completar um ano. Em 2024, a taxa estava em 12,3 óbitos por mil nascidos vivos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A expectativa de vida, atualmente, é de 76,6 anos, muito mais do que o dobro do registrado na virada do século 19 para o 20.
Em 2000, 8,7% dos brasileiros eram idosos. Atualmente, são 17%. Em 2025, serão 30%. Até lá, a população do país vai estar em queda – a previsão do IBGE é de que o pico seja alcançado em 2041, quando haverá 220,4 milhões de habitantes. Em 2070, serão 199 milhões de brasileiros, sendo 37,8% deles idosos. Em alinhamento com estas previsões, já se discute, entre os formadores de políticas públicas, a necessidade de reduzir o número de escolas no futuro, e de aumentar os hospitais e centros de acolhimento de pessoas mais velhas.
O setor de saúde está sendo transformado por esta tendência, que demanda uma abordagem nova para o atendimento se manter qualificado e eficiente.
Busca por sustentabilidade no sistema de saúde
As demandas da população também eram muito diferentes. Como aponta um estudo publicado pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), com base em dados da capital paulista, em 1901, das dez causas mais importantes de mortalidade, cinco eram doenças infecciosas, responsáveis por 37% do total de óbitos daquele ano. “Em 1960, apenas três entre as 10 principais causas de morte eram infecciosas: pneumonia, gastroenterites e tuberculose”, aponta o trabalho. “Estas correspondiam a 16,1% do total de óbitos daquele ano. Já em 2000, apenas a pneumonia situava-se entre as 10 causas mais frequentes de morte”.
Atualmente, as principais causas de morte no país são as doenças cardiovasculares, seguidas por câncer, doenças respiratórias crônicas e diabetes. São todas condições cuja gravidade está diretamente ligada à qualidade de vida, aos hábitos adquiridos ao longo de décadas e à capacidade do setor de saúde de diagnosticar e prevenir os casos, antes que eles se tornem mais graves, debilitantes e até mesmo fatais.
Como aponta uma análise da consultoria EY, “o Brasil tem testemunhado um rápido envelhecimento de sua população. No entanto, o sistema de saúde não tem se estruturado para acompanhar esse processo de forma efetiva. O resultado é um descompasso entre as necessidades de saúde da população acima de 60 anos e a capacidade do sistema de atendê-las de maneira eficaz e abrangente”.
Ajustar processos, portanto, é crucial, porque pode proporcionar ganhos para as pessoas, suas famílias, e todo o ecossistema de atendimento em saúde, que busca formas de atuar com maior agilidade, eficiência e sustentabilidade financeira, ainda mais em um cenário em que, ainda segundo e EY, os beneficiários com mais de 60 anos representam 38% da demanda por recursos do setor, um percentual que deve alcançar 45,2% em 2031, percentuais mais elevados do que sua crescente participação na composição demográfica do país.
Transição do cuidado como estratégia para continuidade assistencial
Uma prática em alta no Brasil é especialmente adequada para as demandas do novo perfil de pacientes, que tendem a demandar atenção contínua e por longos períodos, sem precisar necessariamente da internação hospitalar. Trata-se da transição do cuidado e da atenção domiciliar, um conjunto de ações que permite que equipes médicas e de enfermagem monitorem as condições de saúde e ofereçam os cuidados necessários para cada caso, tudo isso sem a pessoa deixar o próprio lar.
Importante para os casos de recuperação de cirurgias e tratamentos hospitalares, a transição do cuidado também se presta à necessidade de famílias com familiares idosos e de saúde fragilizada. Especialista na prática, a 11Care está bem-posicionada para contribuir com o setor. O serviço de acompanhamento e cuidados realizado pela companhia promove a recuperação, a independência e a qualidade de vida.
A estratégia da companhia parte da avaliação detalhada do paciente para identificar as suas necessidades, que ampara o desenvolvimento de um plano de cuidados personalizado, que é colocado em prática por uma equipe coordenada e multidisciplinar, habilitada para realizar o monitoramento contínuo, com acesso rápido a informações médicas. O uso de tecnologias inovadoras, como a Internet das Coisas (IoT), facilita a comunicação remota entre pacientes e profissionais de saúde.
Para as instituições de saúde, os ganhos são muitos. Incluem:
- Redução de internações hospitalares recorrentes e custos relacionados;
- Redução do risco de infecção hospitalar;
- Maior número de internações atendidas, graças à ocupação dos leitos por períodos mais curtos;
- Jornada do paciente mais eficiente e personalizada, aumentando o índice de satisfação.
